08/10/2007
SaudadeTrancar o dedo numa porta dói.Bater com o queixo no chão dói.Torcer o tornozelo dói.Um tapa, um soco, um pontapé, doem.Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.Mas o que mais dói é a saudade.Saudade de um irmão que mora longe.Saudade de uma cachoeira da infância.Saudade de um filho que estuda fora.Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.Saudade de uma cidade.Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.Saudade da presença, e até da ausência consentida.E ninguém sabe como deter.Saudade é basicamente não saber.Não saber mais se ele continua fungando num ambiente mais frio.Não saber se ele continua dançando forró com todas.Não saber se ele ainda usa aquela camisa preta regata.Não saber se ele foi na consulta com o dentista como prometeu.Não saber se ele tem comido mesnos; Não saber como frear as lágrimas diante de uma música; (Enconsta neu, dá um cheiro neu!!)Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer.É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo querer ligar pra saber...É não querer saber se ele está mais magro, se ele está mais belo.Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo.. (Miguel Falabella
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