Achados e Perdidos
(José Luiz Herencia)Fica sempre um pouco da noite junto à barra do diaUm pouco, sim, de tristezaSem qualquer derivativoSem recurso ao trabalhoSem sequer sopro inventivoFicou, que se escute, um poucoDe uma certa presençaComum às coisas negadasUm pouco de um velho amigoUm pouco de um cachorro antigoTão pouco que chega a nadaMas, se de tudo fica um pouco,O que se fezDe tudo aquilo que sonhou, mas se perdeu,Ou foi deixado-No matadouro do espelho-Sem merecer ser lembrado?O quêDe torpe e escuro meio-fio,A que supomos vida,Permite recompor o fio da memóriaNão passa de uma velha ensandecida.E a razão,É uma jovem desmemoriada?
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